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Entrevista

Conhecer e experimentar a ferramenta livre Por: Ana Carolina Salvador/ Foto: Fernanda P. Szuster

 Alexandre Cantini e Carlos Eduardo Mattos
Alexandre Cantini e Carlos Eduardo Mattos

De sexta-feira, 21, a domingo,  23, no auditório do RDC, haverá o Libre Graphics Meetings (LGM), encontro anual e internacional de usuários e desenvolvedores de softwares gráficos livres gratuitos de primeira linha, das áreas artística e gráfica. Durante três dias, haverá palestras, debates, sprints de programação, reuniões de definição de rumos e workshops sobre diferentes temas. Nos dias 21 e 22, será a vez do GnuGraf, o primeiro seminário de computação gráfica com software livre no Brasil, voltado para profissionais que atuam em áudio, animação, vídeo, produção gráfica e design de jogos. O encontro será no Auditório Padre José de Anchieta, com 16 palestrantes que apresentarão as principais ferramentas gráficas livres e vão ministrar algumas oficinas. Organizador na PUC-Rio, o professor Alexandre Cantini, do Departamento de Artes e Design, explica sobre os seminários com o idealizador e criador do GnuGraf, o designer Carlos Eduardo Mattos, conhecido como Cadunico.

Qual a importância para a PUC em abrigar esses dois encontros?

Alexandre Cantini:
É a oportunidade de receber e se mostrar para o mundo como o local que recebeu esses dois encontros, que são os únicos do planeta que reúnem desenvolvedores e usuários de software gráfico livre. A universidade é o local da expansão do conhecimento, e o objetivo é que os alunos conheçam, expandam, experimentem, a fim de que o universo das ferramentas de trabalho não fique restrito a um conjunto ditado pela moda ou fama.

Carlos Eduardo Mattos: O problema não é a ferramenta em si, mas o desconhecimento dela. Existem outros softwares de manipulação de imagem daquelas mais conhecidas e, quando o profissional não conhece várias ferramentas, ele não consegue aplicar o conceito em si. Se o profissional mexer em vários softwares, ou seja, se ele é poliglota, ele não se aplica mais à ferramenta, mas se aplica à técnica, ao conceito, e torna-se mais versátil, pois saberá lidar com vários programas.

Por que a discussão sobre software livre é tão fundamental hoje em dia?

Cantini: Geralmente, sistemas operacionais são feitos visando o lucro ou por algum problema técnico. Se uma ferramenta é criada e pensada como um produto final, atende a um pensamento mercadológico. Quando essa lógica é invertida, o programa passa a ser pensado como um instrumento de trabalho que pode ser usado por qualquer pessoa e começa a ser percebido como um instrumento de empoderamento do ser humano. E esta é a beleza da comunidade de software livre, que tem um espírito solidário de ajudar um ao outro.

Mattos: A grande vantagem do software livre é que você contribui para o projeto de desenvolvimento dos programas. Você é capaz de não só aprender, mas desenvolver uma área do sistema operacional que vai ser realmente usado. Depois que termina, o programa está no mercado para as pessoas baixarem e usarem. Se dá mais
potência às instituições de ensino porque elas não trabalham em problemas utópicos.

Quais são as novidades que esses encontros vão trazer?

Cantini: Todos os programas que serão apresentados são profissionais, livres, gratuitos, podem ser utilizados pelas pessoas sem nenhum tipo de restrição de licença, sem custo de implantação e podem ser aprimorados pelos próprios departamentos,
se tiverem acesso ao código-fonte.

Quais são as outras vantagens do software livre?

Mattos: Se o usuário encontrar algum erro, ele pode entrar na lista de discussão para falar sobre isso. Alguém da comunidade de software livre, em menos de duas horas, vai responder se isso é ou não é um bug, ou que, na próxima versão, isso já estará corrigido, ou vai falar para baixar de novo o programa, pois o defeito já foi consertado. É um aprimoramento feito em grupo.

Cantini: Muitas vezes, o programa cria uma versão nova e não necessariamente abandona a antiga. O usuário pode ter as duas versões e, se ele estiver acostumado com o programa de um jeito, ele não precisa abandonar aquela versão. Sem contar que os programas podem ser personalizados da maneira como o usuário quer.

Publicada em: 12/04/2017 Ver matérias da seção: Entrevista

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