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Entrevista

Novo humanismo nas relações Por: Thays Viana/ Foto: JP Araújo

O corpo humano se desenvolve a partir de estímulos provenientes da mente. Dessa forma, há uma interação das ações corporais com o restante do mundo. E essa capacidade de interagir é conhecida como corporeidade. A partir desse conceito, a Cátedra Carlo Maria Martini organiza um ciclo de palestras e discussões sobre a Corporeidade e as Relações. Uma das organizadoras do encontro, a professora Maria Clara Bingemer, do Departamento de Teologia, conta que serão abordadas questões do corpo como forma concreta e figurada, dentro do âmbito da teologia, psicologia e filosofia. Além disso, haverá o lançamento do último livro de uma coletânea sobre Dom Hélder Câmara, de autores norte e sul-americanos, intitulado A Fonte e o Futuro da Teologia da Libertação. O Legado de Dom Helder Câmara. O ciclo de palestras Corporeidade e as Relações ocorre na quarta, 21, e quinta-feira, 22, no auditório AMEX, a partir das 9h. Veja a programação completa ao final da entrevista.

 Professora Maria Clara Bingemer
Professora Maria Clara Bingemer

Como surgiu o tema do encontro?

Maria Clara Bingemer: O corpo é a condição de possibilidade de a gente se relacionar. Mesmo quando não há uma relação de toque, de abraço ou de ação, a corporeidade é o que dá espessura e condição de possibilidade das relações. É um tema muito importante e que está muito em voga. Esse encontro é um passo num processo em uma série de encontros que existe desde 2011, a cada dois anos, um na Europa e outro aqui no Brasil, depois nos Estados Unidos. O grupo se chama nuovo umanesimo (novo humanismo em italiano), que começou em volta do pensamento da Simone Weil, uma mística e filósofa francesa. Nós sempre fazemos de forma pluridisciplinar, com a Teologia, Filosofia e Psicologia. Porque sempre lidamos com três universidades, duas europeias e a PUC-Rio. Uma universidade da França, outra da Itália e, agora também, participa uma universidade dos Estados Unidos. É composto por dois filósofos, duas psicólogas, uma italiana e uma francesa, além da participação da professora Junia de Vilhena, do Departamento de Psicologia. Vamos fazer essa triangulação das ciências humanas, pensando na questão da corporeidade e as relações.

Como foi a escolha dos temas abordados em cada palestra?

Maria Clara: O grupo é composto pelas mesmas pessoas, e eventualmente convidamos alguém diferente. O tema é resolvido em comum, de acordo com as especialidades de pesquisas dos participantes. Consultamos uns aos outros e cada um vai buscar a própria perspectiva em volta do título escolhido.

Como foi a escolha dos convidados?

Maria Clara: O núcleo é fixo, mas sempre com a participação de pessoas locais. Se, por exemplo, nós formos nos reunir na Itália, teremos algum convidado italiano. Por isso, desta vez, convidamos a professora Junia, que foi uma indicação de outro professor.

Qual o objetivo do encontro?

Maria Clara: O objetivo do grupo é elaborar e criar um novo discurso humanístico. Porque a nossa sociedade vê as ciências humanas de maneira desvalorizada. Só dão valor às ciências exatas, e a algumas ciências sociais, porque vivemos em uma sociedade tecnocrática, e tudo que é criatividade e que não pode passar por um laboratório, que não é empírico, é desacreditado. Mas a ideia de universidade surgiu a partir das humanidades, da filosofia, da teologia. Uma academia que despreza as humanidades está cavando a própria cova. O objetivo do grupo é colocar as humanidades em evidência.

Qual a importância de discutir a questão da corporeidade nos dias de hoje, principalmente dentro da universidade?

Maria Clara: A academia deve se debruçar sobre essa questão. Ela tem mil implicações. Até a medicina está fazendo mudanças nas corporeidades, como as mudanças de sexo. Eu acredito que estamos vivendo em uma época que a questão da corporeidade está atravessando fronteiras que nunca atravessou. A psicologia entrou, descobriu que a criança, quando passa pela adolescência, faz o luto do corpo infantil, adquirindo o corpo de adulto, por isso, é uma fase muito delicada, com muita instabilidade. Assim, a gente vê como o corpo é uma máquina sensível e dinâmica, que vai refletir o que estamos vivendo.

 
 Programação Palestras Corporeidade e Relações

Quarta-feira, 21 - Italiano

9h20
– Abertura
9h30 - O Corpo de Cristo e o corpo do Pobre, com o professor Paulo Fernando Carneiro de Andrade
11h – O humanismo weiliano e os corpos: “arquiteturas vivas em movimento”, com o professor Massimiliano Marianelli
14h – A dimensão corpórea do si, com a professora Elisa Del Vecchio
15h – O Corpo e suas Narrativas: novos discursos dos tempos sem palavras, com a professora Junia de Vilhena

Quinta-feira, 22 - Francês

9h30
- Oh chama de amor viva! São João da Cruz na leitura nupcial do corpo em São João Paulo II, com o professor Peter Casarella Corpo feminino: a originalidade do pensamento de Julia Kristeva, com a professora Maria Clara Bingemer
11h30 – Corpo e Relações: pensando o trabalho com Simone Weil, com o professor Emmanuel Gabellieri Quando a fronteira entre o interior e o exterior perde flexibilidade: subjetividade prejudicada, com a Professora Celia Vaz

Publicada em: 14/06/2017 Ver matérias da seção: Entrevista

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