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Entrevista

Uma única América Por: Clara Martins

 Professora Maria Clara Bingemer
Professora Maria Clara Bingemer

Organizado pelo Departamento de Teologia, o Seminário Internacional Ecclesia in America ocorre da quarta, 16, a sexta-feira, 18, no auditório do RDC. Os temas são as preocupações comuns entre a América do Norte e do Sul, a importância do diálogo inter-religioso, a ecologia e o feminismo. Em entrevista, a professora Maria Clara Bingemer, do Departamento de Teologia, explica o porquê da organização dos encontros e os objetivos a serem alcançados com as palestras.

Como surgiu a ideia do seminário? Quais são os objetivos?

Maria Clara Bingemer: Neste ano, o documento Exortação Apostólica Ecclesia in America completa 20 anos e, para celebrar, decidimos organizar o encontro. As palestras pretendem realizar diálogos entre a América do Norte e do Sul, convocando a América a trabalhar junta e ser uma só. As conversas serão introduzidas por teólogos latinos dos Estados Unidos e da América do Sul. A ideia é, após as conversas, reunir os pensamentos e produzir um projeto de pesquisa conjunto para dar avanço à construção de uma teologia comum no continente.

O Seminário Internacional Ecclesia in America terá a presença de teólogos da América do Norte e do Sul. Qual é a importância do intercâmbio de pensamentos para a discussão teológica?

Maria Clara: A troca de ideias é muito importante, porque são contextos que têm semelhanças, mas, sobretudo muitas diferenças. Os teólogos do Norte vivem em países onde os ancestrais chegaram através da migração e, desde o início, não foi fácil para eles, pois tiveram que passar por muitos obstáculos. Hoje, a teologia deles se solidariza com essa questão dos imigrantes e com toda uma cultura dos latinos nos Estados Unidos, que valoriza as liturgias, as celebrações e mantém as tradições locais. Por outro lado, na América Latina, a teologia está muito conectada com a questão da justiça, além de ter aproximação com a corrente da teologia do povo. O Papa Francisco é um exemplo de retrato do intercâmbio, pois ele traz para o mundo o caráter latino na teologia, pouco pregado anteriormente.

Qual a necessidade do diálogo inter-religioso para a reflexão cristã?

Maria Clara: A conversa entre diversas culturas se torna cada vez mais importante, porque não é mais possível viver com uma teologia que afirme a salvação apenas para quem está dentro de uma determinada Igreja. Na década de 1960, o Concílio Vaticano II promulgou o Nostra aetate, documento que afirma a existência da verdade em todas as religiões e a necessidade do diálogo entre elas. Temos o costume de sempre irmos ao encontro de outras culturas para ensiná-las, mas também devemos aprender com elas.

Na Universidade, é perceptível a interação entre a religião e o meio ambiente, por exemplo, através da disciplina ética socioambiental. Como o seminário pretende discutir a relação entre o religioso e a ecologia?

Maria Clara: A teologia atual reflete a importância de uma conversão ecológica, na qual devemos assumir uma verdadeira espiritualidade do cuidado com a Terra, porque o destino dela e da humanidade, sobretudo dos pobres, estão interligados. Nosso processo desenfreado atacou muito a casa comum, e é muito importante aprendermos com os povos originários como lidar diante da natureza e as soluções para a crise ambiental. Acredito que a grande contribuição da América Latina será a partir desses povos, porque além de serem conhecidos como aqueles que têm o segredo da ‘vida boa’, eles caminham juntos da ecologia.

Cada vez mais, a figura feminina ocupa papéis importantes na sociedade, sobretudo com os movimentos feministas. Como funciona a presença da mulher no campo teológico?

Maria Clara: Estamos caminhando, mas ainda falta um longo caminho. A Igreja está percebendo a necessidade de reconhecer os serviços que as mulheres têm prestado durante séculos gratuitamente. Na área da espiritualidade, houve grandes avanços, pois, antigamente, somente os padres poderiam realizar retiros espirituais, hoje, as mulheres marcam presença nesse campo. Nos últimos anos, a figura feminina tem tido uma excelente atuação na leitura popular das bíblias, nas celebrações e na coordenação das comunidades. Como exemplo, há o Sínodo para a Amazônia, no qual, majoritariamente, são as freiras que estão organizando as comunidades, porque há pouco clero no local.

Publicada em: 11/10/2019 Ver matérias da seção: Entrevista

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